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Sumário

Nova proposta prevê regras diferenciadas para venda de alimentos artesanais por artesãos em vulnerabilidade

Comissão aprova substitutivo que mantém exigências sanitárias, mas permite selo específico para identificar produtos de pequenos artesãos em situação econômica delicada


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A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou a proposta que cria condições diferenciadas para a comercialização de alimentos artesanais produzidos por artesãos em vulnerabilidade econômica. A medida visa promover a inclusão produtiva sem comprometer as exigências sanitárias e de qualidade, fundamentais na área de alimentos.

O novo texto, de autoria do relator deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), mantém o cumprimento integral das normas sanitárias, mas permite a venda direta ao consumidor e a criação de selos específicos, como uma nova categoria dentro do selo ARTE, já existente para produtos de origem animal.

Quem será beneficiado

O substitutivo define como artesãos em vulnerabilidade econômica aqueles que:

  • Não possuem registro mercantil;
  • Têm Carteira Nacional do Artesão;
  • Estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico);
  • São isentos de Imposto de Renda;
  • Produzem e comercializam os alimentos pessoalmente ou com o auxílio da família.

O que muda para o profissional de alimentos

Para os profissionais que atuam com orientação técnica, fiscalização, consultoria ou regularização sanitária, a proposta traz implicações práticas importantes:

  • Responsabilidade técnica e legal permanece com o artesão, mesmo com o regime diferenciado;
  • Documentos comprobatórios deverão estar disponíveis durante a comercialização;
  • Fiscalizações precisarão considerar a categoria do artesão, mas sem abrir mão da verificação do cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) e demais exigências aplicáveis.

Essa diferenciação de regras não afrouxa a segurança dos alimentos, mas sim reconhece as dificuldades enfrentadas por pequenos produtores em situação de vulnerabilidade e propõe mecanismos de valorização e formalização progressiva.

Atenção à rastreabilidade e segurança sanitária

Mesmo com a possível criação de um selo específico, o cumprimento das legislações sanitárias continua sendo obrigatório. Isso demanda que os artesãos, ainda que em condições precárias, estejam minimamente organizados quanto ao controle de qualidade e rastreabilidade dos produtos.

Para os profissionais da área, isso exige abordagem educativa e orientativa, além de ferramentas simplificadas para diagnóstico e apoio técnico que respeitem as particularidades desse público.

Próximos passos legislativos

A proposta agora segue para análise conclusiva da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Se aprovada, poderá ser encaminhada ao Senado e, posteriormente, sancionada, passando a integrar o ordenamento jurídico que regula os alimentos artesanais no Brasil.

Capacitação para profissionais e produtores artesanais

Para os profissionais de alimentos que atuam com produtos de origem animal, especialmente aqueles assessorando pequenos produtores, uma formação específica sobre o Selo ARTE pode ser decisiva para orientar corretamente o processo de certificação e valorização dos produtos artesanais.

Entre os cursos recomendados, destaca-se o Selo ARTE para produtos de abelha, voltado para alimentos como mel, própolis, pólen e outros derivados da apicultura. O curso aborda desde o histórico e fundamentos da certificação até os procedimentos práticos para solicitação, além de reforçar as Boas Práticas de Fabricação exigidas.

Com 25 horas de carga horária e certificado incluído, é um recurso essencial para quem deseja atuar com segurança e protagonismo na formalização de produtos artesanais de origem animal.

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